A importância do insignificante

– Comandante o que é aquilo que avisto?!

– É só um pequeno cubo de gelo a flutuar no impiedoso e frio atlântico, não seja exagerado e uma menina! Vamos espezinha-lo como grande navio que somos construído com a  fórmula de Arquímedes.

A Idade Média, um período obscuro na história devido ao retrocesso do modo de viver da sociedade na Europa, teve início com as invasões germânicas (bárbaros), sobre o potente mas já fragmentado Império Romano do Ocidente. Essa época, iniciada no século V, estende-se até o século XV, com o “nascer” do Renascimento. Passo a expressão.

Nesta época produziu-se uma grande quantidade de mortes, causadas pela violência das actividades de lazer, e quase como uma profissão interiormente assumida, dos barões que cultivavam uma só paixão, a de andar em permanentes confrontos, torneios e caçadas. Também pela pressão que a Europa sofria naqueles tempos, os Muçulmanos pelo sul, os Húngaros pelo Leste e os bárbaros pelo Norte, desenfreados pelas suas sanguinárias incursões de garfo na mão.

A contínua sequência de violências e as deprimentes condições de vida daqueles tempos parados no tempo deram um valente “low blow”, golpe secular também chamado de “táxi” para os radicais puristas portugueses, no número da população Europeia. O seja. as taxas de mortalidade atingiram níveis muito elevados. Para a sobrevivência do evoluído “homo sapiens”, homem sábio em latim, embora sábio do quê, já seja outra questão, a uma mortalidade elevada tem de corresponder uma fertilidade igualmente elevada. (Hold that thought)

O comércio com o Oriente enfraquecia continuamente e assim certas especiarias fundamentais tornar-se-iam bens escassos no Ocidente.

A pimenta,

– Planta de origem oriental, da família das Piperáceas, cujos frutos bacáceos têm sabor picante e por isso são usados como condimento, dizem eles.

– Especiaria que sacrificou seu corpo à formação do verbo transitivo apimentar, digo eu.

Substância esta sem a qual muita da comida, sobretudo de origem animal, teria de não estar em decomposição para ser vendida, e que teve um importante papel no aumento de certas actividades que despoletaram o aumento da natalidade como iremos ver a seguir.

A promoção das cruzadas (iniciadas pelo Papa Urbano II e também pelo frágil monge francês Pedro o Eremita), na direcção do nascer do sol, que libertaria a Terra Santa de opressão muçulmana e permitindo reabrir as auto-estradas, que um dia no passado foram SCUT´s, de comunicação com o Oriente, viriam a permitir o fornecimento de especiarias, das quais incluída a pimenta, à Europa. De uma assentada garantia-se o doce prémio no Céu e o apimentado prémio na Terra, mesmo com as consequências intestinais que tais substâncias podem provocar ao intestino mais débil.

Na Europa medieval havia um domínio incontestado do homem na sociedade. Pela utilização da palavra incontestado, o leitor pode tirar a conclusão que nem as mulheres contestavam naquela época o domínio do macho. O facto de não contestar não quer dizer que assim o preferissem, e o que pensariam no seu íntimo estaria trancado tal como uma importante peça de vestuário. Dai o antigo provérbio que está, ou deveria estar, a ganhar força actualmente: “confiar na própria mulher é bom, mas não confiar é melhor ainda”. Com as cuzadas e neste contexto sociocultural, nasceu a ideia do cinto de castidade. Não será difícil concluir que foram tempos de esplendor para os ferreiros, a metalurgia europeia entrou num período de expansão devido a uma brilhante posição masculina face às mulheres.

O pequeno detalhe de alguns cruzados interessarem-se pelas novas terras orientais e deixarem-se ficar por lá a viver como ricos que nunca foram, e esquecerem-se das suas respectivas mulheres, com o cinto posto, foi alegremente recordada entre grandes risadas nos jantares em que o vinho e mulheres exóticas da Síria e Arménia abundavam. O homo sapiens, homem sábio em latim…

O aumento do consumo da pimenta, apenas, fez subir a exuberância e o apetite carnal pelo ser uma vez tirado da sua própria costela. Privados dela só a muito custo os Europeus conseguiriam contrabalançar as perdas de vidas humanas.

Os homens medievais mais caseiros que se deixaram ficar pela europa, com tantas belas mulheres à sua volta presas no cinto de castidade, sentiram repentinamente um grande interesse pelos trabalhos do ferro. Muitos fizeram-se ferreiros exímios e especializados em chaves. A cidade do Areeiro teve a sua fundação neste preciso momento. Este foi o segundo empurrão no desenvolvimento da metalurgia sentido e reconhecido na história económica da Idade Media que incrementou a aceleração da evolução de técnicas, procedimentos e instrumentos. Foi uma abertura para um mundo encarcerado à muito tempo.

A pimenta viria a ser um bem tão importante que serviria também como meio de troca. O novo sal, era usada com frequência como moeda pelos mercadores que tornaram-se também banqueiros e senhores com quantias consideráveis. Houve um aumento da população, o rendimento per capita aumentou, e daqui, pelo aumento das transferências de moeda ocasionadas pelo aumento do comércio, via-se um reaparecimento de um não tão baixo nível de vida. O declínio do feudalismo foi substituído pelo aumento das cidades que acabou por ser interrompida pela chegada da peste que levou à retomada de um declínio. Depois de muita guerra europeia, sobretudo da guerra dos cem anos com o declínio do final da Idade Media, terras destruídas, países em dívida financeira para com outros, só mesmo os italianos para substituírem o sentido financeiro e de negócio para a maximização da felicidade pela pintura, cultura e poesia. Assim teve o início do Renascimento.

FARTURA EXPOSTA

 

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