“Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade.”

Normalmente os cães pequenos são os que ladram mais para compensar a falta de estatura quando comparada com a dos outros cães…

Depois de ouvir com alguma atenção, a atenção que eu acho adequada e suficiente para ouvir certos protestos, dado que a “alguma atenção” é sempre inversamente proporcional à estupidez das reivindicações, as notícias da suposta mobilidade dos trabalhadores e as queixas destes sobre a mobilidade, espanto-me!

Bem sei que não tenho de dar lições de moral a ninguém, eu próprio de muito poucas pessoas autorizo, mas houve não muito distantes tempos em que dignas pessoas se viam obrigadas a mudar de terra, país ou mesmo continente, em busca de trabalho. Quem queria trabalhar e não encontrava trabalho na sua área de residência, partia perseverantemente em busca do mesmo. Os que não o faziam era porque, naturalmente, não precisavam.

Mas nestes tempos, que nem para todos são, rigorosos, uma vez que nem sempre há oportunidade de mostrar rigor, continua a haver muitas desculpas para fugir, não do país mas do trabalho.

No passado ainda me divertia a ouvir falar dos direitos que os trabalhadores adquiriram e as reivindicações que não se coadunam com os tempos em que vivemos, mas já chegou a um cúmulo que só apetece recambiá-los directamente para a sibéria à próxima paralisação, que os seus protestos e greves causarem. Pior ainda quando estas reivindicações são feitas por “trabalhadores” de empresas de certos serviços como o transporte, por exemplo, que causam dificuldade a terceiros, utentes, que pagam e dependem desses serviços para, eles sim, trabalharem.

Corroboro com a vontade de todos nós termos algum tipo de garantias, nem que fosse meio hectare para cultivo, mas entristece-me quando no nosso umbigo de reivindicações nos esquecemos de olhar pela janela do nosso BMW comprado às prestações, e de nos recordar que os tempos são outros, que de facto não temos batatas e tomate cultivado com o braço no ar à espera de ser apanhado com a ideia, errada, de se mudarem para um sítio mais digno e limpo do que a, húmida mediterrânea com brisa atlântica, terra. São felizes agarrados a uma esperança, são felizes na insabedoria.

Mais do que dizer que não nos podemos afastar mais do que 500 metros de casa para fazer de conta que trabalhamos, importa treinar os quadricípites levantando os glúteos da cadeira onde picamos o ponto e fazer-nos à vida, tal como a Sacagawea fez. Entre ficar no sofá sem dinheiro a ver a inesgotável força da gravidade actuar, e soltar a âncora, presa aos pés pela consciência sindicalista, em busca dum salário ao fim do mês, eu pelo menos opto pela segunda opção.

Irrita-me sim, ter de fazer parte da mesma sociedade que os que fazem parte dos que ainda tem trabalho, não façam como o grupo que não o tem. Não arregacem as mangas e digam: vamos lá dar a volta a isto, vamos por-nos a trabalhar!

FARTURA EXPOSTA

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4 responses to ““Não possuir algumas das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade.”

Não hesita!

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