A voar desde o oriente

Noutros longínquos não certificados tempos, os oleiros de Barcelos e arredores faziam galos de barro e os turistas que por ali passavam (nunca os galegos em caminho a Santiago de Compostela) compravam-nos.

Havia uma certa infelicidade, por parte dos turistas, pela descrença. Um homem é sempre mais feliz quando não desconfia, ou porque tem muito bom fundo e cerca de 5 litros de ingenuidade é bombeada a cada minuto do seu dia, ou porque ele é o master da trafulhice.  Mas a infelicidade sentia-se porque o homem turista comprava um galo sem ter a certeza de ser exactamente o galo que queria comprar.
Isto porquê? Porque não tinha certificado!

O povo escultor e que descobriu a América 70 anos antes de Cristóvão Colombo, segundo o coitadinho do Menzies, pegou no seu colossal conhecimento sobre Barcelos e começou a fazer Galos de Barcelos. Poderá dar-se o caso de que este povo tenha mais orgulho do horroroso galo do que nós portugueses:

“De ente todas as peças de barro, seja-me lícito destacar o arrogante galo de crista encarnada, todo ele uma sinfonia completa de côr, cuja origem talvez se encontre na interessantíssima lenda que nos conta as atribulações que sofreu um pobre romeiro a caminho de Santiago, e que um galo, mesmo assado, conseguiu salvar da forca ao fazer ouvir a sua voz forte e vibrante”. (Fernando Pires de Lima, A Lenda do Senhor do Galo de Barcelos e o Milagre do Enforcado, Lisboa, 1965, p. 33).

Uma vingança válida da parte dos nossos oleiros, seria a produção em massa de cabeças de dragões para as suas festas. A diferença é que o dinheiro que um oleiro de Barcelos gasta com o barro de um galo dá para alimentar uma família chinesa.

Não sejam inconvenientes oleiros portugueses quando condenam os certificadores que apenas vos querem proteger de povos rasgados de trabalho e multiplicadores de unidades.
Poderá o turista incauto não conhecedor do mundo das aves pensar que um galo é um galo, independentemente de se bracarense ou chinês. Um pecado!

Porque, a partir de agora, quem comprar um galo não será enganado. Recairá sobre ele a vergonha se o comprar sem o devido certificado. Não tire a pouca honra e virtude do seu galo.

O certificador sabe, a autarquia sabe, assim funciona…

Certification, an obligation!

FARTURA EXPOSTA

Advertisements

Não hesita!

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: